O Arquivo
Para uma amiga
Um soneto escrito para uma amiga, mas que hoje se entende como escrito para todos nós: uma página que amarelece e, mesmo assim, guarda um nome.
Ela escreveu este soneto para uma amiga, mas quem lê hoje entende que era para todos nós. Fala de uma página que amarelece e, mesmo assim, guarda um nome. Era exatamente isso que ela queria: que a memória não se apagasse. Deixamos o soneto como estava no caderno.
Quando estiveres um dia velhinha,
E quiseres recordar a mocidade,
Leia estes versos, linha por linha,
E sentiras então muita saudade!Terás saudade e sentirás tristeza,
Verás um sonho, em cinzas já desfeito,
E a saudade velha, com avareza,
Correr as pétalas de um amor perfeito!Irás, relembrando a vida,
Quando esta página amarelecida,
Há de mostrar-te este soneto meu!Procurarás no arquivo da memória,
Meu vulto, meu nome, minha história,
Que o vendaval do tempo escureceu!
Do caderno da nossa bisavó. I. B. Ávila.