/historia · a travessia da família
Esta página conta a parte que é pesquisa: nomes, lugares e datas que os documentos sustentam. A parte que é romance mora na Tetralogia, com a moldura que ela merece. Aqui, a família fala do que encontrou.
c. 1500
Ávila, Castela
Uma cidade cercada por muralhas de granito, 87 torres e 9 portões, erguida ao longo de mais de dois mil anos. Dentro delas, famílias que aprenderam a ser duas coisas ao mesmo tempo: cristãs diante da praça, fiéis à própria memória dentro de casa. A nossa era uma delas.
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1530
A partida
Quando a vigilância virou cerco, partir deixou de ser derrota. Muitos olham para trás e veem fuga. Nós olhamos e vemos estratégia: recuar para um terreno onde o inimigo não pode seguir. No baú foram sementes, livros e joias, o que a família registra como salvo das fogueiras do continente.
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1531
Ilha Terceira, Açores
Escarpas negras de basalto no meio do Atlântico. Ali, no solo vulcânico, o fogo da terra encontrou a água do mar, e a família encontrou um novo lar, um novo comércio, um novo começo.
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séc. XVIII
Desterro, Brasil
O litoral catarinense recebe a leva açoriana. O sobrenome atravessa o oceano pela segunda vez, agora para não voltar.
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séc. XIX
O Pampa
Gerações de trabalho na fronteira sul. É desse chão que vem a saudade que, já no século seguinte, uma bisavó verteria no caderno de poemas que hoje guarda a voz mais antiga do nosso arquivo.
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Hoje
Mato Grosso
Num solar à beira do Lago do Manso, a papelada de um processo de cidadania virou outra coisa: o que abriu para a cidadania europeia recuou séculos, e a decisão de não deixar essa história morrer. Quatro irmãos cuiabanos abriram o álbum de veludo. Você está lendo o resultado.
"Escrevo como descendente que se recusa a ser o ponto final de uma história que quase foi sepultada pelo esquecimento." Nota do Autor · A Linhagem dos Quatro Ventos