O Arquivo
Poetisa
Ela se chama de poetisa, mas passa os versos inteiros dizendo que queria ter a bondade do outro. Um poema do caderno da bisa, na íntegra.
Há um poema no caderno em que a bisa não fala de si: fala de alguém que ela admirava, alguém de vida simples e alma inteira. Ela se chama de poetisa, mas passa os versos inteiros dizendo que queria ter a bondade do outro. Deixamos como ela escreveu.
Se poetisa sou, sei a quem devo,
Quem me dera viver como um trevo,
De tua vida rude, colhi poesia,
Quem me dera ter tua harmonia,
Se a vida é beleza, eu não entendo,
Quem me dera viver na certeza!
Tu que algo tens, faz de mim franqueza,
Quem me dera aceitar a pobreza,
Simples e humilde, és verde lembrança,
Quem me dera viver na esperança!
És justo és bom, vives da verdade,
Quem me dera ter tua bondade!
Do caderno da nossa bisavó. I. B. Ávila.