Caderno de poemas da bisa, à luz suave

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Se me deixassem

Um poema que oscila entre a resignação e o desejo ardente de vida: se a deixassem, ela distribuiria tanta vida que o mundo ficaria luminoso. Da voz da bisa.

Poucos poemas do caderno pedem tanto quanto este. Entre a mão vazia e a vontade de repartir vida, a bisa desenha uma mulher que só precisava que a deixassem ser inteira. Deixamos como ela escreveu.

Não sou eu, a que amando,
Há de rir, pérolas e flores,
Minhas mãos, são vazias,
Meus olhos, trajem morte,
Mas não são negros,
Meu riso, é riso e nada mais,
Mas, se a minha volta quisesse,
e me deixassem rir flores,
Pegar estrelas nas mãos
Tingir meus olhos de negro Ah!
Se me deixassem então
Eu distribuiria tanta vida, tanta,
Que esse mundo seria luminoso,
De vida, eu queria, fazer algo
Por alguém, que talvez só me queira bem !

Do caderno da nossa bisavó. I. B. Ávila.

I. B. Ávila Voltar às Crônicas