Caderno de poemas da bisa, à luz suave

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Um soneto em que a infância adormece "ao colo da Mãe Preta", e o adulto pede que a fantasia faça silêncio. A memória guardada em paz, no caderno da bisa.

Neste soneto, a bisa recebe em sonho os personagens dos contos de infância e, em vez de se perder neles, pede que façam silêncio. A infância não foi abandonada: ficou adormecida, em paz, guardada dentro dela. Deixamos como ela escreveu.

Por sortilégio de Perlimpimpim,
Surpreenderam-me em Sonho esta manhã!
Os filhos dos grandes, Andersen e Grimm
Chamados pela Infância - sua irmã!

Eu que supunha já ter posto fim
A esses amigos, na memória anciã,
Eis-me de moro diante de Aladim,
Pinóquio, Chapeuzinho, Peter Pan…

Que pretendeis da infância? (assim lhes falo)
Voltei a paz do nosso azul Castelo,
que ao colo da Mãe Preta, em doce embalo

Ela dorme tranquila dentro de mim
Não faças mais rumor Polichinelo,
E apaga tua lâmpada Aladim!

Do caderno da nossa bisavó. I. B. Ávila.

I. B. Ávila Voltar às Crônicas